nefertite

 

 

nefertite repousa nos meus olhos

ao leve toque dos papiros no jardim

mantém a beleza que tutmósis realçou

para que vivesse trinta e quatro séculos

honra dada por aton a quem serviu.

ptah em mênfis terá enviado o boi ápis

a tel-el-amarna para que fizesse eterna

a beleza polícroma da mulher de icunáton

nos sinais efémeros  olhar longo.

 

a serenidade interior do rosto de nefertite

que o artesão amarniano prolongou

faz mais simples a pressa da existência.

 

o que fica são os lábios no início do sorriso.

 

por enquanto nefertite é que lembra

icunáton no governo do povo do egipto.

após outro olhar pelo jardim palimpsesto

saberei se a rainha sobreviveria

sem icunáton a a protecção de aton.

 

ambos foram levados por anubis

para a eternidade das sombras.

 

josé félix

 jonasfel@netcabo.pt