Andityas Soares de Moura

 

OS

 

enCANTOS

 

Ciclo galaico-provençal seguido de quatro poemas-cobra.

 

 

 

 

 

MONIQVEI·AMATAE· MEAE·VXORI

 

 

 


ÍNDICE

In(tro)(tra)dução

AIacyr Anderson Freitas

Angelo Manitta

Francisco Álvarez Velasco

1.       Ciclo galaico-provençal

Ave leve

Au lleu  

Ausèth laugèr

Lai

L’aur’amara

Canzo

Sirventes

Alba

La dame est sans merci

Languedócio

Balada

Florilégio

Canção do mancebo

Homenagem a Arnaut Daniel

Cansó

Levad’amigo, que dormides as manhanas frias

  

2.      Quatro poemas-cobra

Cil qui d’amor me conseille

Discantus

Cantilena

Planch

Biobibliografia

Notas breves

 


 

INTRO   

 

Após a boa acolhida de seu livro anterior, Lentus in umbra, o segundo volume de sua precoce bibliografia, Andityas Soares de Moura comparece agora com este OS enCANTOS, obra que acrescenta novas cores ao painel lírico elaborado pelo poeta mineiro.

 

 Se, por um lado, os ecos estilísticos deste novo trabalho nos instigam a manter um profundo diálogo com os patrimônios trovadorescos galego e provençal, cujas raízes se encontram claramente crivadas no texto, devemos considerar também, por outro lado, as dissonâncias impostas pelo peculiar manejo verbal do autor de Lentus in umbra.

 

 Não se restringe apenas ao título deste volume ou à reverência a Arnaut Daniel a filiação poundiana de Andityas, aqui ainda mais aguçada pela utilização, no corpo do texto e sem emendas aparentes, de excertos e citações em cadeia, de apropriações que buscam explorar, inclusive, os estratos fônicos de outras línguas, bem como as conflituosas alternâncias de tom geradas a partir da aproximação de vocábulos de cunhagem erudita com outros de origem chula ou vulgar. Como seria natural, tudo isto provoca uma fragmentação extrema do discurso, um mosaico que roça o limiar da língua, que busca a implosão das unidades semânticas.

 

 Da grande tradição trovadoresca evocada, às vezes com humor e corrosiva ironia, Andityas não deixa de pôr em destaque as repetições e os paralelismos, dois dos núcleos históricos da lírica ocidental. Com base nesses núcleos, o poeta trama muitas das peças aqui estampadas. Seu périplo procura, assim, ao mesmo tempo, referir e desferir, resgatar e projetar, tentando extrair dos fragmentos de antigos cantos – agora remontados das ruínas – todos os seus possíveis encantos.  

 Iacyr Anderson Freitas

 Juiz de Fora, 14 de novembro de 2002.

 


 

 INTRA  

 

O primeiro problema que um crítico se põe ao ler o poemário OS enCANTOS de Andityas Soares de Moura, como também o anterior Lentus in umbra, é aquele referente à localização do mesmo no âmbito da poesia contemporânea brasileira, se é de vanguarda ou de pós-vanguarda, ou talvez seja um texto que se volta para temas e tonalidades tradicionais. Para mim, sua poesia – que se apresenta inovadora tanto no aspecto conceitual quanto na forma gráfica – está além de qualquer definição, já que tem por objetivo a recuperação de entidades e formas da poesia clássica (e as contínuas referências a Virgílio e a Catulo evidenciam tal assertiva), da temática medieval e da tradição Franco-provençal ou em todo caso européia. 

 

Se Virgílio e Catulo puderam parecer distantes um do outro graças à concepção e à forma expressiva, em Andityas Soares eles encontram um traço de união por força do apelo ao tema do amor. Títiro expressa, com um canto melodioso, seu sentimento por Amarílis ou o rancor contra os poderosos que levaram todas as suas riquezas (Cf. Lentus in umbra). Catulo manifesta o amor à sua Lésbia por meio de um elemento simbólico-conceitual de passionalidade, que pode ser o pássaro ou a maçã. E, com efeito, a poesia do poeta de Verona – “Odi et amo, quare id faciam fortasse requiris/ Nescio, sed fieri sentior et excrucior.” – esta na base da peça Discantus

 

Entre estes dois autores, através de referências formais e conceituais aos menestréis e à poesia amorosa medieval, localiza-se o tema erótico-sensual de Andityas. O amor não é só um ideal de perfeito cavaleiro, mas é sensibilidade e desejo, quase como se o autor fosse um Lancelot que não sabe separar-se de sua Guenièvre. Exemplos disso são peças como La dame est sans merci, Languedócio e ainda Homenagem a Arnaut Daniel. Isso quer dizer que o poeta sabe fechar conceitos, expressões e emoções em uma forma não mais completamente livre, mas entrelaçada em versos que, densos em sua brevidade, expressam a ânsia e a paixão: “Mas/ é que amar/ e morrer, moço/ é que matar/ e amar/ cansa,/ se não fores/ como os/ anxeles.” (Cil qui d’amor me conseille

 

O que dá vida à poesia de Andityas é, portanto, a profunda passionalidade, a participação nas vicissitudes humanas, mas sobretudo a musicalidade da palavra. Se, por um lado, podemos falar de um culto à mulher, por outro temos que reconhecer o culto à palavra, como nos seguintes versos: “Branca bela/ senhora// a imagem s’evola// branca bela/ senhora// teus peitos de ardósia// branca bela/ senhora// que mal tua deploras?” (Canção do mancebo).   

Angelo Manitta, poeta e professor italiano.

Itália, 15 de novembro de 2002.  

 


 

DUÇÃO  

 

            Por las páginas de OS enCANTOS fluye la palabra poética de un yo lírico que Andityas Soares de Moura ya había conformado, a pesar de su juventud, en la voz madura y personal de Lentus in umbra.  En esta nueva entrega se mueve con facilidad en un cronotopos que trasciende las fronteras de las propias circunstancias del que está escribiendo a principios del siglo XXI en tierras mineiras. Porque la poesía es, en gran medida, memoria de la interiorización de lo leído, a los renglones de este discurso afluyen aguas de otros tiempos, que aquí se materializan en voces de otros poetas y en resonancias lingüísticas foráneas. El texto en su estructura es un díptico formado por dos tablas integradas por composiciones a modo de mosaico: un ciclo galaico-provenzal y cuatro poemas-cobra. Cada una de las partes presenta su propia modulación, particularmente en lo que se refiere al juego verbal del nivel fónico y a la andadura rítmica.  

 

            Una propuesta semejante, sin duda alguna, supone una aventura llena de riesgos para el poeta y de dificultades para el lector, quien, en una lectura apresurada, podría encontrar aquí un cajón de sastre o un rompecabezas imposible de montar. Pero – ya lo hemos dicho en otra ocasión – la poesía de Soares de Moura pide un lector exigente y activo, capaz de reelaborar el discurso que se le ofrece. Tensión lírica junto a narratividad; empleo de registros verbales eruditos al lado de expresiones jergales y disfemísticas; el manejo del silencio y los recursos paralelísticos al modo de la lírica provenzal y galaico-portuguesa, o el fluir incontenible de un monólogo interior con inclusión contrapuntística intertextual son algunos de los elementos con los que el autor de OS enCANTOS ha trabajado y experimentado en su laboratorio creativo.

 

            El resultado es la construcción, en un territorio universal y atemporal, de una casa común donde se oyen ecos de las voces de Homero, Tiresias, Catulo, San Agustín, Arnaut Daniel, Abelardo, Rosalía de Castro, García Lorca y Pound, mezclados con los  «cantos» y los «encantos» de la voz personal de Andityas Soares de Moura.   

 

Francisco Álvarez Velasco, poeta e professor espanhol.

Espanha, 20 de novembro de 2002.

   

 


 

 

 

Quantas sabedes amar amigo

treides comig'a lo mar de Vigo.

¡E bannarnos emos nas ondas!

 

Quantas sabedes d'amar amado

treides migo a lo mar levado.

¡E bannarnos emos nas ondas!

 

Treides comig'a lo mar de Vigo

e veerémo-lo meu amigo.

¡E bannarnos emos nas ondas!

 

Treides migo a lo mar levado

e veerémo-lo meu amado.

¡E bannarnos emos nas ondas!

 

 

AVE LEVE

 

 

Prata brilha branco

ouro brilha amarelo

branco brilha prata

amarelo brilha outono

 

prata brilha branco

outono brilha olor

branco brilha prata

    olor brilha odor

 

prata brilha branco

    odor brilha calor

branco brilha prata

    calor brilha candor

 

prata brilha branco

    candor brilha flor

branco brilha prata

    flor brilha sabor

         

: não rimar amor com doR

 

 

 

AU LLEU

 

 

Plata brilla blanc

or brilla groc

blanc brilla plata

groc brilla tardor

 

plata brilla blanc

tardor brilla olor

blanc brilla plata

olor brilla odor

 

plata brilla blanc

odor brilla calor

blanc brilla plata

calor brilla candor

 

plata brilla blanc

candor brilla flor

blanc brilla plata

flor brilla sabor

 

: no rimar dolor amb amoR      

 

                        Tradução para o catalão de Sabela Quintanilla Nistal.

 

 

 

 

Ausèth laugèr

 

 

 

Argent brilha blanc

aur brilha jaune

blanc brilha argent

jaune brilha auton

 

argent brilha blanc

auton brilha odor

blanc brilha argent

odor brilha flairor

 

argent brilha blanc

odor brilha calor

blanc brilha argent

calor brilha candor

 

argent brilha blanc

candor brilha flor

blanc brilha argent

flor brilha sabor

 

: rimar pas dolor ambe amoR

 

            Tradução (revirada) para o occitano (langue d’oc) de Olivièr Flagèth Mantèth.

 

 

 

 

LAI

 

 

Domna de meos

    choros

pregunto

 

  – a litania

dos pastos

 

s’arvora

em

cinzel

 

escarpa

prêmio –

 

muy gran

teimosia

t’enche a cabeça?

vontades de

romaria?

S’emputaria com

dõas, pedraria?        (a escarpa)

 

longe estás de lembrar

        bem-talhada

        fodedora   (o prêmio)

 

“– tristeza

    tristeza

    que nem

    a Galiza

    dá jeito!”

 

 

 

 

L’AUR’AMARA

 

 

A água que

  corre

  pelos dedos

  : fáceis

 

ao toque

      reserva de amido

      suculência

 

pássaros inumanos

            andorinhas

 

    reveste-se de cor, dulçor

    plaina funda

    corpo treme

    freme freme freme

 

: o ar acre

 

 

 

 

CANZO

 

 

Lauzeta que trai

  l’aura

  traes

me

el mar de

Vigo

 

Figo, meas amigas

d’entre mentes

quentes

 

esgart amoros

 

tuoi blancz

 

miel

   boca

   traes

   me

   el mar de

Vigo

 

 

 

 

SIRVENTES

 

 

“Por que não arrancar

logo os colhões?

Dize-me, Papiols-bastardo-cantador!”

 

o susto das máquinas

carniceiras. piolhos

                  sarna

                  velhice

            nos grãos de café

 

“lá fora, a língua bipartite

de Ricardo, cão inglês, tremula...!”

 

escondido nas muralhas

detrás das pernas de cortesãs

    sem graça

“– vamos aí com essa comida!”

 

resmungo resmungo

“nada tenho comigo

além de covardes”

resmungo resmungo

 

“encontro graça suficiente

na ponta da lança, armadura furada, pulhas!”

 

“ratos assaltam-me,

mas a espada, boa,

aperta-se – moça –

na cintura.”

 

e Altaforte parece sussurrar, acalmando o senhor:

 

VIRÁ O DIA DA guerra

 

 

 

 

ALBA

 

 

Si ressurgitz

co’a malha do céu

 

faz-me bem

teu parecer

 

não some

é

malha

do céu

 

tant ai mo cor ple de joya

tot me desnatura

 

não finda

não vai

é malha

    do

 céu

 

 

 

 

LA DAME EST SANS MERCI

Sextinalterada, à maneira do troubar ric, d’Arnaut Daniel  

 

 

Ay, senhor fremosa

d’alvos cachos,

persevero em mi’a

coita. Soberba, coxa

peito cílio espartilho

gosto de laranjeira.

 

Mal vos acho,

severo pelo dia

qu’açoita, arrocha

o leito: brilho

encosto das beiras.

Dai-me, em sangue, tua rosa.

 

É vero: em fria

moita há flor roxa.

Eleito, como milho

de agosto, digo: “suadeiras,

cessai, por fim ela é nossa.”

Salvos os bagos, me agacho.

 

Sois tão rara! Na colcha,

trejeitos de lascívia, és utensílio.

Posto o corpo no barulho das feiras,

aí, súbito, te tornas dolorosa:

turvos os olhos, tachos

de ferro, estalas de agonia.

 

No pleito, me humilho:

gran desgosto é só ver cabeleira,

saia, cona olorosa,

curvos dedos. Como macho

quero na cama estripulia:

doida, vadia, ora poxa!

 

Preposto das palhas, das ribeiras

faias, suplico: “ó saborosa,

aos corvos não t’entregues. Penacho

de Nero não possuo, mas devoção pia

co’italianas melodias tenho na trouxa.

O jeito é teres comigo um filho!”

 

         Vai,

                                      roça

        calvos

                                      fogachos.

        Pero,

                                       todavia,

        oiça:

                                      – mecha:

        perfeito

                                      pecadilho.

        Rosto:   

                                      rameira.

 

 

 

 

LANGUEDÓCIO

 

 

Amassar

                     a alba

                        lebres

                              leite de cabra

e o coração

de Cabestanh

 

segredos que somem

                        donzelas que somem

                            somem

 

                            mais

 

                            um             

                            som

 

: o do peito sendo aberto

 

 

 

 

BALADA

 

 

Hum cantar

                  por vos ver,

molher

 

san mesura.

   doussa.

 

sei que meu

versejar

t’alcança

a trança

 

san mesura.

   doussa.

 

nas praias

                                 lá no profundo

          recorte: ouvido.

                                  espuma,

 

                                  atropelo.

                                  esquecimento.

 

san mesura.

   doussa.

 

 

 

 

FLORILÉGIO

 

 

Troubar por um rico

troubador

firma a pura alegria

de mi’a dona

                       cruel, bona per outros.

 

corpete

cor de linho

arcabuz

de

estupor

 

frescor de

mañanicas,

el maire, el aire

        – floridas –

 

troubar por um rico

troubador

és pura alegria

por mi’a dama

                    “senhor, a teu serviço

          me dedico!”

 

 

 

 

CANÇÃO DO MANCEBO

 

 

Branca bela

senhora

 

a imagem s’evola

 

branca bela

senhora

 

teus peitos de ardósia

 

branca bela

senhora

 

que mal tu deploras?

 

branca bela

senhora

 

a solidão, mancebo, chora

descora, apavora

e o padre só me diz: ora, ora, ora

 

branca bela

senhora

 

esquece o linho, as cousas claras

 

branca bela

senhora

 

vem em segredo, com ânimo de amásia

 

branca bela

senhora

 

mulher te farei ao largo da orla

 

branca bela

senhora

 

 

 

 

    CANSÓ

 

 

Ieu cantei um miragre,

troubar, por te adornar

 

             loiçana

 

Ieu fiz o talhe, lembrança

     pé bunda sorriso

 

             loiçana

 

Ieu dispus el maire:

língua trovejante per se

 

             loiçana

 

Ieu aprendi a ter o dom

sempre verde da occitânia

 

             loiçana

 

             loiçana

 

             loiçana   ieu  loiçana

                                                 ieu

 

 

 

 

HOMENAGEM A ARNAUT DANIEL

 

 

L’aur’amara

fa.ls bruoills

brancutz clarzir,

luzir por

farpas,

– condensa-te

em sangue

que.l doutz

espeissa ab

fuoills,

espreitado: já.

e o barulho de

folhagem? : já.

e.ls letz becs

dels auzels

ramencs

o preço

da pedra:

trovoada

ten balps e

mutz, pars e

non pars;

mãe. madrugada

de engenho:

passarada!

per queu m’esfortz

de far e dir plazers

assobiando no

ladrilho.

é só sol.

só sol

a mains per liei

que m’a

virat bas d’aut,

dormem as paredes

das igrejas caiadas.

  chorai meninas,

  pelas enxurradas.

  dormem as paredes

don tem morir,

si.ls afans no

m’asoma.

fera:

umbigo lambido

mata clara:

                                                                                                        fera

 

 

 

 

 

LEVADAMIGO, QUE DORMIDES 

AS MANHANAS FRIAS  

 

 

Estremeci per te ver,

domna esquiva

 

cotovia nos beirais

berrava

estremeci per te tocar,

 

unha tensó

es mi’a

prima

galhardia

 

estremeci per

te louvar

o bom parecer,

a cara-creança

 

no me fazes daño

teu recordo

 

florezitas

de Mayo,

aventurança

fazed comigo

 – cantiga –

 

estremeci per te

e estremeço

– extremunção –

mais vez

  ainda

 

estremeci per te

lembrar

te lembrar

 

no me fazes daño

teu recordo

 

domna esquiva  

 

 

 

 

CIL QUI D’AMOR ME CONSEILLE

 

 

Veja, é

Cannopus,

a de grandes

olhos.

Voici l’horizon

qui se

défait

no mais

fundo:

equânime:

cheiro de

cidade em

tuas coxas

E esta,

Órion,

por quem

os deuses

criaram o

sangue.

– un grand

nuage

d’ivoire

au couchant et

e aquela,

filho meu,

é a tua

du zénith

au sol,

le ciel

crépusculaire,

saliva

marca

o círculo

de pedra:

o pai

vestiu as

botas

de lã

de

carneiro,

la solitude

Roma ao

longe,

immense

aos cavalos,

filho meu

déjà

glacée –

por caminhos

cor de camélia,

tuas cédulas

de

orgulho.

Então, não

viste o

feitio das

tranças?

Eu te digo,

eram

bárbaros,

cães

supersticiosos.

Riscando o

mapa

de desejos,

sozinha,

pasto

escuro

plein d’un

silence

dançar

para ti?

como

uma

puta?

liquide

olho de

lava

orballo

marfim

as bananeiras

caladas.

Aprende

a mastigar

o fígado

do inimigo,

cospe

depois.

sussurro:

perna de

coelho:

Como uma

puta?

assim a raiva

não te deixará

jamais,

filho meu.

noite sem lua,

Federico,

noite sem lua.

Agora tu sentes?

Sinto.

Sentes? que

bom.

Córdoba.

Lejana y

sola. Y sola

me quedé.

Pulseiras

de cimento,

eu jamais

as

usaria,

mas trouxeste-as tu

para

o aposento,

para as bodas,

para a

casa.

Cala, ó

moço!

tu queres

meu corpo

na

infinita

solidão

Cala,

que nós

fazemos

o mar

chorar.

da dança?

pois fazer

mal de

amor, cansa

mea nena

Lá do outro lado,

espalham

guerras.

ramaxes:

até o

verdor,

criança,

é sem

Fogaréu

nas praças.

Aunque sepa los

caminos

Os donos do mundo,

esses fogem.

Tudo que

brilha

é

mortalha.

é sem,

é sem

esperança.

xograr

canta o

cantar

de mea

nai

e a noite

rolou

diss’

olvida

yo nunca llegaré

a Córdoba.

santiña,

xograr,

santiña.

no areal

bebi

de tua

boca

ó mar de

Vigo

c’um olor

d’anxeles

c’um delor

de paxariño

ó mar de

Vigo

nada mais

será como

d’antes.

tu me

olharás

como uma

libertação,

¡Ay que la muerte

me espera, antes

de llegar a Córdoba!

E naqueles dias

Xerxes odiou

Leônidas.

premita

qu’eu morra

Repito:

sem sobreviventes.

Pra isso te

demos napalm

su-fi-ci-en-te.

um

fastio,

premita

mea santiña

Baixar

os olhos,

filho meu, é

má usança.

cariña

de rosa.

como u’a

vadia?

premita

qu’eu morra

antes

Ouviste bem?

ai, mi’a vaquinha!

ay, mea casiña!

um

segredo

que compete

ao

ar.

antes de

olvidar

como era

frio

hay un

lume nas

entrañas

o lábio

de meo

senhor.

Sim.

Tu voulais

ma paix

aló, as

montañas

ventre de aço

dança que

dança mexe

que mexe

o lençol

no matagal,

a doce

puta essencial.

Dormiram sob

Órion e Cannopus.

viens la prendre!...

temeu

Leônidas

chorou

por sua

cabeça.

Mas

é que amar

e morrer, moço

é que matar

e amar

cansa,

se não fores

como os

anxeles.

 

 

DISCANTVS

(DE ARTE ORGANAE)

 

ODI ET AMO

Noite madrepérola

pingos

lambendo

o calor

da mata

fechada, verde.

Abelardo,

o castrado,

sonha

sonhos

de volúpia.

Gosto do

gosto

rosado

do corpo

Seus pés:

chumbo.

Modus:

dórico.

bonito dessa

deusa,

cuja espinha

dorsal

E pensa:

tudo que

é negro,

se reconduz

aos

intestinos.

parece

corda.

Gosto quando

O mapa

de Creta

traçado

no estômago.

Alfinetes

rasgando as

vésperas.

gozas forte

e quente em

nossas

caras brancas.

Nas mãos, a

espada do

avô.

Disseram

sobre ele

mentiras

em todos

os cantos.

QVARE ID

FACIAM

Entre as

pernas

uma flor

para

Ariadna.

Cochichavam pelos cantos,

sustentavam

que ele

fornicava.

FORTASSE

REQVIRIS

Chegou carta,

messire.

Sancto

Agostinho

dixit:

é impossível

Para ela? Sim.

Ariadna

lamentará,

mas não

hoje. A

lua é uma

Dele? Sim.

a vida

sem

justiça.

amante

generosa.

Mulher,

Mais cantus

firmus? Mais?

Não. Ut – ri –

mé, não... de

novo

ut – ré –

este é o

meu

caminho.

Este.

Deixa-me

segui-lo e

esquecer

a magnólia

de teu

mi – sá ... (fá?) 

– sol

te aquece

os pêlos da vagina

aberta

molhada.

sorriso.

– lá

Ao longe,

Mosteiro de

Argenteuil.

Heloísa

aperta seus

seios.

N'outra madrugada,

antes de Minos,

o corpo dela

era espelho.

Há poesia

no pouso

da ave.

Primavera

plena

ondas de

recitações

invadiam

Modus:

frígio.

os ouvidos.

Aperta seus

seios e está

sozinha.

NESCIO

SED FIERI

Abelardo

SENTIO

hoje e

nunca mais,

punhos

abertos, sei que

conversas

com

as lendas,

as magias.

Penetrar

no

labirinto.

Se no passado

houve algo,

não mais agora,

cara irmã.

As coxas

grossas de

Shiva,

Senhor,

embriagam-

me.

ET

EXCRVCIOR

ex cru ci or

ex   cru     ci       or

ex       CRV               Ci                  or

A flor

da

morte.

CRVX

Imagino, Senhor,

a grandedocefunda

bunda

de Shiva

redonda macia

CATVLLVS

DIXIT.

Templo

de

Cessakessava.

E ainda

que fosse

possível,

bundagostosa

encravada

na rocha.

Heloísa

massageia seu

ansioso clitóris

cuidado

sa

mente.

Hálito de

jacaré.

Quentes os

passos. A

selva

mia.

Meu senhor, sei que

é preciso

dar os infiéis

à paz.

(mastigar-lhes

os rins)

Árvores de

Heloísa,

brilham

sob as

unhas de

aço.

Baixo relevo

neo hitita

(pedra)

em

Karkemish

(Turquia)

No fundo:

eis a

criatura

horrenda.

(estuprar

suas mulheres)

não valeria

a pena ser

vivida.

Vívida.

Mas é que

o olhar

sem luz

de Shiva

Ela se

lembra da

língua seca

de Abelardo.

é maior

que

o pecado.

Da boca do

professor

Caminhar.

ordenhando-a.

Bernardo,

aquele verme

irracional,

já me traz

problemas

demais.

Como uma

vaca no cio.

É preciso

andar em

meio aos

ossos, ver

a espantosa

figura.

Guido

d'Arezzo:

ut – ré – mi

fá – sol – lá

É isso!

do

homem-

boi.

Chamava-lhe

putinha.

De modo

que não

posso,

senhora,

Seus olhos,

ó deuses!

mesmo que

quisesse,

Seus olhos

têm

medo.

ocupar-me

com seus

negócios.

O templo

pagão

se abre:

Modus:

jônico.

Heloísa

está sozinha

no jardim

central do

convento.

incensos

papoulas e nardo

e manjericão

e almíscar.

Os mamilos

duros durinhos

redobrar os

cuidados da

pele

– bebê-la

Os olhos do

monstro

E ela sorri

têm medo.

Medo.

porque sabe

quem escreveu

a carta.

Mas os olhos

de Ariadna,

esses

sempre

foram

cruéis.

Não foi Abelardo,

magister

optimus

(amatus).

Da estrada

vem

o menino.

Corre

com papel

cheiroso

nas mãos.

Penetrar

por trás.

Até o

estômago.

Basta um

labirinto,

Senhor.

A carta

dela

está

escrita.

 

 

 

 

CANTILENA

para Para ser lida sem pausas mentais

 

 

ALBOR, rubor

de façes

bicos furando

a pele a carne

o mar

albor, rubor

somente com

esgar se faz

 – de façes –

um poema.

mastiga a

verdade. O

velho suplica

por mais um

trago.

Ora, poesia

não vive sem

história.

Atividade

imprestável.

Andar

e andar e

andar. Não

havia risco.

Albor, leve

como os

jardins de

pitangueiras

de façes

escorrega o

fio da voz

mãe: canta

mãe: rubor

não deixa

a noite vir

não não. Há

ainda um

gesto da

infância. No

isolamento

das águas,

lá encontrarás

a pureza. Nereidas,

tudo é de

mármore.

bicos de peitos

furando a

carne, a pele,

o mar. Doce

de leite derretido.

Cafarnaum

queima até

as primeiras

horas da

madrugada.

a nau nau

nau carrega

os que

tombaram.

Beija minha

flor, todo

o resto é

preguiça.

É vislumbre?

Albor, rubor

de façes

feéricas,

firmes, no

entanto

fáceis de ferir.

E citaria

Ferlinghetti.

Teseu, acaso

as valas são

suficientes?

Grande é o

número das

estrelas.

Trepada à

espanhola.

Veleidades. Para

um poeta aquele

homenzinho

parece bastante

desprovido de

personalidade.

Velejaste pelas

ilhas. E nada

mais? Seu

canto, grande,

terrível, abalaria

os portões.

Mostrai os

sargaços, a

Hélade.

Ursa maior

e dragão já

se cruzam.

Nascimento

do sândalo.

E o Oriente

respira

através

de todos

os poros.

Queijo de

leite das

cabras

o ar o ar

o arroio

o ar o ar

que se tingia

de vermelho,

bandeiras, tecidos,

estandartes

orar, hoje

e sempre.

Beber das

poças de

chuva: rastilho.

Gravou no

braço esquerdo:

S. P. Q. R.

e não se sabe

por que. Gravou

com a cor preta,

sem erro

S. P. Q. R.

Ostentação

estigmas

punitórios

ó pai!

ó manes penates

lares!

por regiões

úmidas eu

poderia andar.

Não neste

deserto vermelho

de cera e

boas maneiras.

Alguns diziam

que o ânimo das

antigas hordas

se refazia nele.

Vidro. Carmim.

Diziam que a

solidão do

I. N. R. I.

jazia no

braço esquerdo.

Siglas. Quem

pode decifrá-las...

 

 

 

PLANCH, que fe Andityas del

 senhor d’Ítaca, l’an MMII.

 

No 7º ano de

sangue

Aquiles,

deus entre os homens,

pereceu.

a linguagem

não entendida

está

(Tirésias)

ao Hades.

Tirésias

Ao Hades.

Ao Hades.

na tua pele.

Odisseus

grande

enganador

sem virtú.

Amanhã, para

Tróia.

prélude:

tua própria

vida é

feita da

viagem.

– Telêmaco –

(acalme-se)

Reis glorios, verais

lums e clartatz

Será que

chove no

mar?

no mar.

allemande:

espada curta

ok

lança

ok

escudo

ok

foto de

Penélope.

courante:

peitos seminus

suor medo

garoa

lama entrando

nas sandálias.

Michelangelo

fez o túmulo

de

Júlio II

e morreu em

Roma.

sem casar.

Ousarás

Dante nunca

mais pôde 

respirar

violar meu solo?

o gentil

ar

de

Florença.

sabedoria

eu terei:

sozinho.

exílio

dor

escreve,

Minha Ítaca,

Minha casa.

há grandes

cousas que

não poderás

Scylla:

Menelau:

esquecer.

são tuas.

sarabande:

as sereias

cantando

o Aue

Verum

de Mozart.

jazzístico

o estômago

se contrai.

(Dai-me

minha Ítaca.)

suas bundas

de peixe

queimam.

matinas:

:laudes

signore,

Deus poderos, Senher,

si a vos platz

Profanaram

minha casa

– mas e o sangue de tua mulher? –

(ficar furioso

é fácil.)

não compreendes?

Ai, las! tan

cuidava saber

D’amor, e tan

petit en sai!

Crepúsculo

dois clarões:

Ítaca.

gigue:

Al meu companh

siatz fizels aiuda,

é noite.

cães do meu

avô

uivam.

Qu’eu non lo vi,

pois la noitz fon

venguda;

Et ades

sera l’alba.

e logo será manhã.

logo será manhã.

os relatos

sobre minha

morte foram

um tanto

exagerados.

Cada

alfinete

que roubaste

me será

devolvido.

Beethoven

não retornou

a

Bonn.

Plange.

Seus ossos

descansam

– e para vós,

traidores,

nada mais

que o

degredo

perpétuo –

em paz.

Bel Companho

pos me parti

de vos,

morte

natural

para sempre.

pela

flecha

de

Odisseus

Eu no.m dormi

ni m.moc de

genolhos,

quando vem

a alba

eu te

digo

: bebe

bebe

deste

potente

veneno,

estas carnes

de lebre

eu trouxe para

ti, estas peles,

estes vasos

ornados,

para ti.

No

mar

é

esquecimento.

Mas

não o

hálito

de mea

domna.

Aos 10 anos

Pau

na

Catalunya.

Bach

sucesión

sucessão

suíte

Hoje.

não a quinta.

não a das

trevas.

Eurímaco: morto.

todos os

demais:

mortos.

madeira

cheiro de

folha verde.

a primeira.

Mão

envelhecida:

o arco.

é

como

voltar

pra

casa:

Commencemens de

dolce saison bele

Que je voi revenir,

Remenbrance d’amor que

me rapele,

Dont ja ne quiers

partir,

teu

campo:

elísio

teu

seio:

fror.

de pura

maciez

soave

cal

bágoas

dos

anxeles.

escreve,

grandes

cousas

que não

poderás

 

esquecer.

 

                  SÃO TUAS.  


 

Notas breves

 Texto da capa: cantiga de amigo nº 5 de Martín Codax (cobras alternadas 9'a 9'a 8'B), composta em fins do século XIII (Pergaminho Vindel 5, Cancioneiro da Biblioteca Nacional 1282 e Cancioneiro da Vaticana 888). Colheu-se a presente versão do estudo de Xosé Ramón Pena (Xograres do mar de Vigo: Johán de Cangas, Martín Codax, Meendinho. Vigo: Edicións Xerais de Galicia, coleção letras galegas, 1998).

La dame est sans merci: esta sextinalterada foi anteriormente publicada na revista Il Convivio n° 10 (Castiglione di Sicília, CT – Italia, Luglio-Settembre 2002, p. 41). Na oportunidade também foi apresentada sua versão italiana elaborada por Angelo Manitta. Todos os demais poemas de OS enCANTOS são inéditos. 

Homenagem a Arnaut Daniel: o texto occitano incluído no poema constitui a primeira estrofe de L'aur'amara, escrito por Arnaut Daniel, e assim como os outros excertos de poemas medievais do ciclo galaico-provençal foi retirado da obra A lírica trovadoresca (4ª edição revista e ampliada, São Paulo: Edusp, 1996) de Segismundo Spina. Os fragmentos em langue d’oc e langue d’oil presentes nos poemas-cobra fazem parte do CD Troubadour & Trouvère Songs – Music of the Middle Ages Vol. 1 da gravadora Lyrichord Discs Inc. (LEMS 8001, New York – USA,  1958/1994), obra que conta com a participação de Russell Oberlin (contratenor) e Seymour Barab (viola). Os textos do CD são de responsabilidade de Saville Clark e George Guy, que se basearam nos trabalhos dos seguintes scholars para a fixação da grafia e da disposição gráfica dos poemas: Alfred Jeanroy e Jean Audiau (Reis glorios, verais lums e clartatz de Guiraut de Borneil e Can vei la lauzeta mover de Bernard de Ventadour), Joseph Anglade (Ples de tristor, marritz e doloiros de Guiraut Riquier), Albert Pauphilet e Régine Pernoud (Commencemens de dolce saison bele de Gautier d’Epinal) e Gédéon Hiet (Cil qui d’amour me conseille de Gace Brulé). 

Levad’amigo, que dormides as manhanas frias: dedicado a Francisco Álvarez Velasco, pela insubstituível irmandade espiritual. 

Andityas Soares de Moura nasceu em Barbacena, Minas Gerais, no ano de 1979 e é graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Publicou os poemários Ofuscações (1997) e Lentus in umbra (2001), este último muito bem recebido pela crítica especializada. Lentus in umbra foi traduzido para o castelhano pelo poeta espanhol Francisco Álvarez Velasco e lançado na Espanha (Ediciones Trea, 2002). Andityas tem traduções, poemas e artigos reproduzidos em diversos periódicos: Poesia Sempre, Suplemento Literário de Minas Gerais, Babel, Il Convivio (Itália), A Cigarra, Poiésis, Literatura, Rascunho etc. Participou das antologias Poesias brasileiras (Editora Casa do Livro, 2001), Poemas de amor (Editora Rio-Pretense, 2002) e Brasil 500 anos (Editora Blocos, ainda inédito). Atualmente é advogado e professor da Faculdade de Direito da UFMG. Também prepara a edição de seu quarto livro – FOMEFORTE – e uma seleção traduzida de poemas galegos de Rosalía de Castro (1837 – 1885), que será publicada pela editora Crisálida com o apoio do Ministerio de Educación, Cultura y Deportes de España. É representante da Accademia Internazionale Il Convivio (Itália) no Brasil.                                   

Todos os direitos reservados. Permite-se a reprodução dos poemas, desde que o autor seja devidamente comunicado.

Endereço para contato: Rua Theobaldo Tollendal, 144

            Centro – Barbacena – Minas Gerais – CEP: 36200-010

E-mails: andityas@bol.com.br /   vergiliopublius@hotmail.com

 

 


 

definição de poeta

  “(...) os poetas (...), esses briguentos seres desequilibrados, que falsamente se intitulam apóstolos, mas, em dupla, roem a carne do terceiro. Os poetas, que cantam a pureza, mas que passam ao largo até das proximidades de um banho. Os poetas que esmolam de todos, até dos mendigos, só uma pequena chamada, só um pouco de carinho, só esmolam uma estatuazinha na esquina, a esmola da imortalidade dos mortais, esses cabeças-de-vento, invejosos, pálidos masturbadores, que venderiam sua alma por uma rima, por uma indicação, que expõem no mercado seus segredos mais íntimos, que tiram vantagem até da morte de pais, mães, filhos, e mais tarde, anos passados, ‘numa noite de inspiração’, quebram suas tumbas, abrem seus caixões, e com a lanterna de gatunos da vaidade pesquisam ‘emoções’, como ladrões de tumbas procuram dentes de ouro e jóias, depois confessam e se arrependem, esses necrófilos, esses feirantes. Desculpem, mas eu os odeio.”

     dezsö kosztolányi

 


Voltar aos ecos do pasado trobadoresco, guiado polo poeta Andityas Soares de Moura é todo un acontecemento apoteósico e solemne. Os sons e os tons de OS enCANTOS, fainos entrar en OS reCANTOS da lírica provenzal e galega. Ese enorme espacio no que Andityas retoma e fai florecer a mellor flor da súa colleita en todo o seu mellor perfume lírico. Poesía limpa e auténtica que esclarece o pensamento aberto deste poeta mozo, que no Brasil remite a súa voz a ese reencontro coas voces medievais do Cancioneiro provenzal e galaico-portugués, de nova colleita no Brasil. Andityas Soares de Moura tutela Os enCANTOS, as súas trobas, cunha cantiga de amigo de Martin Códax, o cantor do mar de Vigo. Ese mar que hoxe nos chega coas ondas cargadas e flaxeladas de petróleo que fan esmorecer a nosa ecoloxía, procedente da catástrofe do buque Prestige. Mais o mar de Vigo, o das ondas claras das cantigas de Códax, Mendiño, Xoán de Cangas, Gómez Chariño e Andityas Soares de Moura, envólvenos de saudade e lévanos a retomar a palabra común. Ave Leve é o poema de conexión con que Andityas nos anticipa os seus cantos. Os lais e os sirventés provenzais mesturados coas cantigas de amor e de amigo proclaman a festa maior do noso verbo. As cantigas de albada e o recendo da flor das mellores primaveras d'Arnaut Daniel, sempre confirmadas en Bertran de Born, en Marcabrú e no corazón partido e compartido de Guillem de Cabestanh. Andityas non é un imitador nin un plaxiador é mesmo o poeta do novo milenio que pon os acentos no pasado para reconstruír o futuro. É o poeta que tece a memoria e a entidade histórica con poesía. Para Andityas, a poesía é ese gran milagre de redención e emoción que nos queda aos humanos para liberarnos.

Xosé Lois García

 


 

Este livro foi impresso em Belo Horizonte (MG – Brasil), no mais cruel dos meses, abril.

ANNO DOMINI MMIII, quando comemoramos exatamente duzentos e cinqüenta e três

anos da libertação de Johann Sebastian Bach, cento e sessenta e seis anos

do nascimento de Rosalía de Castro, sessenta e oito anos

do surgimento dos Seis poemas galegos de

 Federico García Lorca – um

 ano depois ele seria

assassinado – e

sete anos da

aparição

 

 

El libro

OSenCANTOS

 de Andityas Soares de

Moura ha sido editado electró-

nicamente por Portal de Poesía y

colgado en la Red a los doce días

andados del mes de junio del años dos mil tres.